O “Cafezinho” e a sua saúde

Posted by:

O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo, ficando atrás apenas da água mineral em alguns países, como os Estados Unidos da América, onde diariamente são consumidas mais de 400 milhões de xícaras de café, transformando esta nação na maior consumidora desta bebida no mundo.

Mas é seguro tomar tanto café assim? E a cafeína? Quais os potenciais benefícios ou malefícios deste hábito sobre seu sistema cardiovascular e sua saúde em geral?

As respostas para essas perguntas ainda não são definitivas, mas uma coisa é certa, se bem não faz, mal também não! O consumo moderado de café, 3-4 xícaras por dia, contendo cerca de 95 a 200 mg de cafeína, tem demonstrado efeitos ora nulos, ora benéficos nos diversos estudos já publicados, porém engana-se quem pensa que os efeitos biológicos do café estão limitados à cafeína.

O café é uma bebida complexa que contém centenas de compostos biologicamente ativos e cujos efeitos à sua saúde com uso crônico ainda não são  completamente conhecidos. Dentre estes compostos destacam-se a cafeína (potente estimulante e broncodilatador) e os ácidos clorogênicos (antioxidantes e anti-inflamatórios).

Os efeitos sobre o sistema cardiovascular tem sido extensamente estudados e relatados na literatura. A pressão arterial pode alterar-se agudamente em pessoas que não tem o hábito de consumir café, porém em uma metanálise com 15 estudos, observou-se que o consumo regular promove maior tolerância a essas alterações hemodinâmicas. Além disso, em uma subanálise do Nurse’s Health Study, concluiu-se que até 6 xícaras de café por dia não aumenta o risco de desenvolver hipertensão arterial. Já a presença dos ácidos clorogênicos parece melhorar o metabolismo da glicose e a sensibilidade à insulina, reduzindo em 35% o risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2, nas pessoas que tomam >6 xícaras de café por dia.

E os benefícios não param por aí. Segundo uma outra metanálise com 21 estudos e mais de 400 mil participantes, o consumo moderado de café (1-2 xícaras por dia) demonstrou redução de 13% no risco de desenvolver doença arterial coronária. E mesmo para aqueles indivíduos que já apresentaram infarto do miocárdio, a manutenção do hábito de beber café é segura e não aumenta as taxas de complicações cardiovasculares. Em outro estudo envolvendo mais de 200 mil homens e cerca de 170 mil mulheres seguidos por 13 anos, observou-se uma redução de 10% e 15%, respectivamente, nas taxas de mortalidade por causa cardiovascular. Além disso, os pesquisadores têm demonstrado que não há aumento no risco de desenvolver arritmias cardíacas, bem como pode haver redução do risco de acidente vascular encefálico isquêmico com o uso regular.

Mas não só o sistema cardiovascular usufrui dos benefícios do café! Vários estudos têm demonstrado seus efeitos sobre o sistema nervoso e os potenciais benefícios na redução do risco de desenvolver depressão, doenças de Alzheimer e Parkinson. Além disso, devido ao aumento do efeito termogênico dos alimentos e da oxidação das gorduras, pode auxiliar no controle do peso.

Entretanto, apesar de todos esse benefícios, não podemos deixar de mencionar os potenciais efeitos indesejados que podem surgir em decorrência da ingesta do café, principalmente devido à cafeína, tais como: palpitações, tremores, insônia e até mesmo dependência e seus efeitos quando da falta da mesma, como: dores de cabeça, irritabilidade, fadiga, ansiedade, depressão e dificuldade de concentração. Neste caso, pode-se optar pela versão  sem cafeína que ainda mantém os potenciais benefícios encontrados na versão regular, porém em menor intensidade.

Sendo assim, conclui-se que o consumo de café parece ser seguro e inofensivo. Mas lembre-se sempre – “Beba com moderação!”- pois 3-4 xícaras por dia parecem ser o suficiente para usufruirmos de todos os benefícios desta bebida secular!

 

Fonte: http://www.medscape.com/viewarticle/810989

0

Mulheres e o Coração

Posted by:

As doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morbidade e mortalidade ao redor do mundo, constituindo-se num importante e crescente problema de saúde pública, em especial, nos países em desenvolvimento.

Os principais fatores de risco relacionados ao desenvolvimento de DCV são amplamente conhecidos e estudados: hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, dislipidemia (colesterol e/ou triglicerídeos alterados), tabagismo, sedentarismo e obesidade.

Ao longo dos anos, as mulheres foram conquistando seus direitos e espaço na sociedade, mas também adotaram hábitos de vida semelhantes aos dos homens, passando a fumar mais, ingerir mais bebidas alcoólicas e adotar um estilo de vida sedentário, com longas e estressantes jornadas de trabalho, o que tem elevado o risco de desenvolver problemas cardíacos, outrora muito mais comuns em homens.

Segundo dados da American Heart Association, as doenças cardíacas são a principal cauda de morte entre as mulheres, sendo mais letal do que a soma de todos os tipos de câncer. Para se ter uma idéia da dimensão do problema, o câncer de mama provoca cerca de 1 a cada 31 óbitos entre as mulheres, enquanto que a doença cardíaca promove 1 a cada 3 mortes todos os anos, corroborando para espantosas estatísticas de 1 óbito feminino por minuto por causa cardíaca.

Nos Estados Unidos da América (EUA), estima-se que 43 milhões de mulheres sofram de problemas no coração e que 90% delas tenham pelo menos um fator de risco para seu desenvolvimento. Desde 1984, mais mulheres que homens tem morrido por causas cardíacas a cada ano, apesar disso, apenas 1 a cada 5 mulheres americanas acreditam que as doenças cardíacas são a maior ameaça a sua saúde e nos estudos clínicos relacionados aos problemas cardíacos, elas representam apenas 24% dos participantes.

No Brasil, o cenário não é diferente e segundo dados do Ministério da Saúde, o infarto do miocárdio e o acidente vascular encefálico (popular “AVC”) são as principais causas de morte em mulheres com mais de 50 anos. Nesta fase da vida, boa parte das mulheres padecem com os sinais e sintomas do climatério e menopausa, muitas vezes tendo que recorrer ao uso da Terapia de Reposição Hormonal, que tem sido relacionada com risco cardiovascular, apesar de ainda haver controvérsias a respeito deste tópico.

Por conta de todos esses fatos, a American Heart Association lançou, em 2003, a campanha “Go Red for Women”, que visa chamar a atenção do público feminino para o problema e aumentar seu grau de conhecimento sobre o assunto. E os resultados já estão aparecendo, pois segundo a mais recente pesquisa realizada, nos últimos 15 anos houve um incremento significativo do conhecimento das mulheres a respeito das doenças do coração, pois em 1997, apenas cerca de 30% das mulheres reconheciam as doenças do coração como a maior causa de mortalidade entre elas, e esse índice alcançou 56% em 2012.

Entretanto, segundo a American Heart Association, algumas crenças ainda precisam desmitificadas entre as mulheres, tais como:

MITO: “Doença Cardíaca é para os homens e o câncer é a maior ameaça para as mulheres”

FATO: Doença Cardíaca mata mais mulheres do que homens todos os anos, sendo bem mais letal do que o tipo de câncer mais comum entre as mulheres – o de mama, e responsável por 1 a cada 3 óbitos, resultando em 1 óbito por minuto ao redor do mundo;

MITO: “Doença Cardíaca é coisa de velho”

FATO: Doença Cardíaca afeta mulheres de qualquer idade e mesmo as mais jovens podem ter seu risco aumentado em 20% ao combinar contraceptivos orais e tabagismo ou adotar estilo de vida sedentário associado à obesidade;

MITO: “Não tenho sintomas, então não devo ter Doença Cardíaca”

FATO: Os sintomas da Doença Cardíaca diferem muito entre homens e mulheres, levando muitas vezes a serem mal compreendidos e sub-diagnosticados. Cerca de 64% das mulheres que morrem subitamente de doença arterial coronária nunca apresentaram sintomas prévios;

MITO: “Doença cardíaca não afeta mulheres magras”

FATO: O risco de desenvolver Doença Cardíaca não é completamente eliminado, mesmo se a mulher for magra, praticante de ioga ou mesmo maratonista. Outros fatores, como níveis de colesterol, tabagismo e hábitos alimentares podem contrabalancear seus outros hábitos saudáveis.

Neste contexto, campanhas de esclarecimento e políticas públicas de saúde são necessárias para disseminar estes conhecimentos entre as mulheres, fazendo com que compreendam os riscos a que estão expostas, propiciando que façam uma reflexão a respeito de seus hábitos de vida atuais e tomem uma atitude no sentido de melhorar sua qualidade de vida, diminuindo os riscos de evoluir com problemas cardiovasculares, em especial após os 50 anos, na dita “melhor idade”.

Portanto, a prevenção ainda parece ser o melhor remédio. Procure seu cardiologista, faça seu check-up periódico e siga as orientações. Viva mais e melhor!

 

Fontes: American Heart Association – https://www.goredforwomen.org/ Sociedade Brasileira de Cardiologia – http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2008/diretriz_DCV_mulheres.pdf

4

MAPA e HOLTER, para que servem?

Posted by:

M.A.P.A é a sigla utilizada para abreviar o nome deste exame cardiológico utilizado para Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial.

Assim como o Holter, trata-se de um mini-gravador digital que fica acoplado à cintura do paciente e conectado a uma braçadeira presa ao braço que é insuflado a cada 20-30 minutos, registrando a pressão arterial em vários períodos do dia, inclusive durante o sono. Portanto, é essencial que o paciente tenha uma rotina normal no dia do exame, bem como preencha adequadamente o diário de atividades que lhe será entregue.

Sendo assim, é um exame de grande utilidade para o seu médico, pois o auxilia no diagnóstico de Hipertensão Arterial e seus diagnósticos diferenciais, tais como hipertensão do avental branco, mascarada, episódica ou resistente ao tratamento, além do acompanhamento do tratamento e avaliação de sintomas relacionados à hipotensão.

HOLTER 24H é um exame cardiológico desenvolvido para monitorar a atividade elétrica do coração de forma contínua por um período de 24h. O nome veio de Norman Holter que, em 1949, transmitiu a uma distância de 15 metros um sinal de Eletrocardiograma, usando um equipamento levado pelo paciente em uma mochila, que pesava cerca de 40 quilos.

Atualmente, trata-se de um mini-gravador digital preso à cintura e conectado ao tórax do paciente por meio de fios e eletrodos durante 24h, período no qual o paciente é estimulado a ter um dia normal na sua vida, podendo trabalhar, andar, correr, dormir, estressar-se no trânsito, discutir calorosamente e por que não amar um pouquinho.

Sua indicação é ampla e irrestrita, pois não há contra-indicações à sua realização. Auxilia seu médico na avaliação de sintomas, tais como: palpitações (“batedeira no peito”), arritmias, episódios de desmaios, acompanhamento pós-cirurgia, angioplastia ou infarto, além de auxiliar no acompanhamento de pacientes que já possuem marca-passo ou cardio-desfibriladores implantáveis (CDI), cujos ajustes e programações são baseados nas informações fornecidas pelo Holter.

Como afirmou o Dr. Fábio Sândoli de Brito, durante o XXVII Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, “Um dos mais completos e modernos exames cardiológicos é o Holter 24 horas, um espião do coração que detecta alterações e reações que outros métodos não percebem”

Faça sua avaliação médica periodicamente e, se necessário for, venha “espionar” seu coração conosco!

35

Café da manhã e o seu Coração

Posted by:

Aquele antigo dito popular de que “o café da manhã é a refeição mais importante do dia” acaba de ganhar mais força no meio científico.

Pesquisadores da prestigiada Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos EUA, divulgaram recentemente os resultados de um estudo que durou 16 anos e avaliou 26.902 profissionais de saúde do sexo masculino, com idades entre 45 e 82 anos, por meio de questionários sobre hábitos alimentares e estilo de vida, que foram relacionados aos desfechos clínicos, isto é, ocorrências de eventos cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio.

Os principais achados foram:

  • Durante o estudo, 1572 indivíduos tiveram seu primeiro evento cardiovascular;
  • Aqueles que relataram “pular” o café da manhã tiveram risco 27% maior de apresentar um ataque cardíaco ou morte por doença arterial coronária do que aqueles que não o faziam;
  • Tais indivíduos eram mais jovens, com maior probabilidade de serem fumantes, trabalhadores em tempo integral, solteiros, menos ativos fisicamente e bebiam mais álcool;
  • Os que relataram comer tarde da noite (a famosa “boquinha”) antes de dormir, tiveram 55% mais risco de desenvolver doença arterial coronária, porém como poucos indivíduos reportaram tal hábito, os pesquisadores não consideraram este fato, como um real problema de saúde pública.

Os pesquisadores ainda acreditam que apesar de 97% dos indivíduos envolvidos neste estudo serem brancos de descendência européia, os resultados deveriam também ser aplicados para mulheres e outras etnias, porém novos estudos são necessários para testar esta hipótese.

Segundo a Dra. Leah E. Cahill, uma das líderes da pesquisa, “Pular o café da manhã pode favorecer o desenvolvimento de um ou mais fatores de risco, incluindo a obesidade, pressão alta, colesterol elevado e diabetes, que pode, com o tempo, culminar com um ataque cardíaco.”

Tomar o café da manhã está associado com menor risco de ataques cardíacos. Incorporar vários tipos de alimentos saudáveis no seu café da manhã é uma maneira fácil de garantir que sua refeição forneça energia suficiente e balanço saudável de nutrientes, tais como proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais”, afirma a Dra. Cahill.

Mas como garantir um bom café da manhã? Aqui vão algumas sugestões:

  • Comece a refeição com um suco de frutas frescas;
  • Opte por torrada integral, que pode ser complementada com queijo cottage, um pouco de geléia ou ainda cream-cheese light;
  • Cereais integrais com leite desnatado são uma ótima pedida, mas cuidado com as granolas ricas em gorduras!;
  • Iogurtes naturais ou desnatados com frutas fazem um par perfeito!;
  • Ovos, pode? Claro, mas opte por omelete ou ovo mexido utilizando apenas a clara do ovo.

Enfim, o mais importante é não “pular” o café da manhã, tentar manter uma dieta balanceada, associada a atividade física regular e procurar seu médico regularmente para um check-up.

Fonte: www.heart.org/news/skipping-breakfast-may-increase-coronary-heart-disease-risk?

4